terça-feira, dezembro 05, 2006

quarta-feira, março 15, 2006

O JOGO E O DESPORTO

O jogo e o desporto são conceitos interligados que intrinsecamente atribuem significado e coerência um ao outro.
O jogo é um conceito muito vasto, com vários significados originando incoerências mas com o objectivo de prazer lúdico. Alguns autores propuseram definições e conceitos que vão definindo o jogo. Para Guttman (1978), o jogo assume uma perspectiva histórico-cultural em que se presume que o jogo é o espelho de uma sociedade, não só em diferentes épocas, como também do adulto. Por outro lado, Huizinga (1980), assume que o jogo é divertimento , quer pelo meio da recreação, quer pela competição. Noutro campo, Roger Caillois (1990) e Granjouan (1991), assumem uma perspectiva de actividade livre, isolada, incerta, que permite ao Homem afastar-se do real e quotidiano, assume por isso um compromisso de libertação. Piaget, procura através dos jogos medir o desenvolvimento e maturação da inteligência. Presume, etapas bem definidas para cada estádio onde os jogos exercícios, jogos simbólicos, jogos regras assumem um papél preponderante.
Para os antropólogos o jogo não se fica pelas definições e conceitos, assume também uma divisão que enquadra: agôn (competição), alea (sorte), mimicry (simulacro) e ilinx (vertigem), segundo uma classificação de Paidia e Ludus.
Por outro lado, o desporto assume-se como mais jovem, mais recente que o jogo, modernizado e evoluído, com carácter agónico (competição) que presume regras.
Assim, concebemos um desporto com carácter agónico mais intensificado e regras institucionalizadas e regulamentadas, onde o desporto é um jogo evoluído que reflecte e é influenciado pelos princípios e valores da sociedade actual: produção, concorrência, competição, rendimento e resultados.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

DESPORTO COMO PROBLEMA ANTROPOLÓGICO (continuação e fim)

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

A antropologia só nos últimos vinte anos é que começou a interrogar o desporto.
Para Norbeck (1986) o aparecimento da Antropologia do Desporto como área sistematizada, acontece em 1974 com a fundação da Associação para o Estudo Antropológico do Jogo.
Roger Caillois numa das obras sugere que um jogo praticado por determinado povo pode servir para definir alguns dos seus traços morais ou intelectuais, indiciando que esses mesmos jogos se constituirão como uma imagem da própria cultura, de uma época ou mesmo de uma civilização. Surgem ainda muitos autores com publicações interessantes acerca deste fenómeno, contudo resta referirmos que o estudo do desporto como actividade física perfeitamente organizada, codificada e estabilizada, não tem tido uma aderência que produza estudos profundos.
Assume-se portanto, que a Antropologia do Desporto é uma ciência recente que não teve tempo para cimentar e produzir estudos, pensamentos mais profundos, no entanto, encontra-se em constante evolução.

LINHAS DE INVESTIGAÇÃO ANTROPOLÓGICA

As linhas de investigação da antropologia consistem na compreensão do Homem, da sua história, da cultura, como ser social e sociável.
O Homem é um ser actuante, no mundo que o rodeia, dotado da capacidade de aprender, é um sistema aberto, moldável, plástico - é uma essência que consegue decidir-se livremente consoante determinados contextos.
Não obstante, o Homem assume condições do tipo situativo, em que as coordenadas espaço-tempo o revertem e situam num determinado tempo histórico.
Contudo, o Homem demarca-se dos demais seres pela sua capacidade social e de se sociabilizar através de uma conduta cultural que o torna único.
Estes três factores interligam-se constituindo os princípios orientadores da investigação antropológica, na medida em que o Homem, como ser que interaje com o meio social, possui a capacidade e apetência para aprender a cultura.

DIFERENTES DESAFIOS DO DESPORTO ENQUANTO PROBLEMA ANTROPOLÓGICO

Na actualidade o fenómeno do desporto assume proporções massivas nos mais variados campos, quer seja no estádio ou televisão, atravessando pela publicidade e, passando mesmo pelas roupas ou políticos. O desporto possui uma força muito para além do racional, consegue dignificar, humilhar ou até mesmo destruir personagens públicas. Possui uma força mediática capaz de engrandecer obras de âmbitos afastados do próprio desporto.
Este fenómeno é objecto de estudo por parte das ciências mais variadas permeabilziando o desporto às novas descobertas ciêntificas e às novas tecnologias, sendo ele mesmo um factor catalisador para novos saberes.
Neste sentido, o desporto exibe um enorme potencial de estudo por parte das ciências humanas, por exemplo, os jogos olímpicos permitem um inúmero conjunto de estudos sociais. Contudo, as ciências humanas não são limitativas e nem se restrigem ao olimpismo, mas antes, a todo um conjunto de jogos ou actividades corporais (que designamos por desporto) do qual o Homem é interveniente.
Noutra perspectiva, procuramos sediar e localizar numa época o desporto, e descobre-se que surge na Inglaterra na época referente à Revolução Industrial, tendo por base a Grécia Antiga, bem como as actividades corporais posteriores.
Nos tempos consequentes à Revolução Industrial o desporto assum-se como simples e mecanicista, pois o Homem era entendido como um sistema fechado que respondia a estímulos exteriores, sendo-lhe vulgarmente exigido que trabalha-se nos limites das suas capacidades. A constante evolução que rodeia o desporto desta altura produz termos como o Record ou mesmo aparelhos como cronómetro para medir tempos.
Porém, o Homem não é um ser fechado, incapaz, mas antes um ser aberto com espírito de luta, de resistência, enfim um inúmero canjunto de habilidades, que se expressam pela sua essência, competir.
O desporto pela sua estranheza assume vários contornos, tornando por vezes a tarefa mais aobrrecida numa tarefa atraente, trazendo para si um conceito de espectacularidade bem definido. O exemplo disso é uma actividade natural como a corrida que pode ser mediatizada pela essência de ser humano, competir.
É este simbolismo que o desporto assume e que é manifestamente atribuído pela essência do ser humano, e pela caracterização da ode olímpica, que o Homem enquanto atleta pode assumir um verdadeiro papél de superioridade, imitando os deuses.
Contudo, estas e outras concepções levaram a rupturas, isto é, uma primeira ruptura liga-se à existência de regras bem definidas e com alúém a fazê-las cumprir, regras essas que fazem diferir essa actividade daquela efectuada aquando do jogo arbitrário e conjuntural. A segunda, à existência de um espaço próprio para essas actividades. Este espaço e estas regras tornam-se significativas, fundando ontologicamente o desporto moderno.
É aqui que permitimos a entrada ao sagrado e ao profano, como forma de revitalizar e dar ênfase ao desporto, ao espaço e aos seus intervenientes. Existe pois uma essência que conduz o Homem e que lhe concebe o dom de dar continuidade à sua existência, à sua evolução, ao seu desporto.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

O DESPORTO COMO PROBLEMA ANTROPOLÓGICO (a desenvolver...)

Introdução
Pretende-se compreender o fenómeno desportivo como objecto de estudo da antropologia e qual a posição do Homem no mesmo.
Fazendo uma retrospectiva temporal, apenas e só para entendermos qual o intento do Homem actual no desporto e como objecto de estudo da antropologia, é importante salientar que o corpo é estudado por inúmeras áreas do conhecimento humano, numa perspectiva de dicotomizar corpo/cultura, pois é possível perceber a história pelas representações corporais e a cultura pelo corpo.
É no decorrer natural da evolução do Homem que surge o desporto, assumindo-se como factor determinante para definir alguns traços morais ou intelectuais da sociedade que se identificam por vezes através da cultura. Este mesmo desporto que por vezes identifica um povo, civilização ou sociedade representativa de uma cultura, necessita da iluminação da visão antropocêntrica para dar continuidade à sua evolução. Trata-se de contemplar o Homem sob o ponto de vista do domínio do desporto, da vida, bem como da sua problemática.
Torna-se importante compreender que o Homem histórico e socialmente mutável e concreto deve ser estudado e entendido à luz das ciências antropocêntricas, com intuito de perceber qual a função do desporto nas sociedades, quer passadas quer actuais.

sexta-feira, junho 10, 2005

STRESS, ANSIEDADE E RENDIMENTO NA COMPETIÇÃO DESPORTIVA

Nos dias de hoje o rendimento assume cada vez mais uma postura mercantilista, capaz de gerar enormes receitas e movimentar multidões. Assim o erro não é permitido.
O desporto de rendimento é agora um factor catalisador de inúmeras emoções – alegria e orgulho, vergonha e ansiedade, irritação ou raiva e culpa –, que necessita de compreensão destes comportamentos para que a adaptação a contextos desportivos seja a mais adequada possível. Neste sentido, Smith (1989, p.199) considera que o “desporto é um laboratório naturalístico extremamente rico para o estudo de uma vasta gama de fenómenos psicológicos e oferece uma multitude de oportunidades para os investigadores que estejam interessados em ansiedade”.
Seja a que nível for a actividade e competição desportivas são capazes de gerar elevados níveis de stress e ansiedade nos atletas. Não admira, por isso, que o desporto continua a ser um óptimo laboratório natural para estudar as noções de ansiedade e stress na sua relação próxima com o rendimento. Uma vez que, “o rendimento ou a performance óptima têm muitas vezes como obstáculo a incapacidade do atleta para ultrapassar o seu próprio medo e para lidar ou enfrentar eficazmente o stress e a ansiedade associados à competição desportiva. Tal incapacidade justifica também, muitas vezes, a bem conhecida mas preocupante, diferença abismal que vai dos excelentes treinos às performances verdadeiramente desastradas na competição, que caracterizam muitos atletas: é como se tudo fosse desaprendido ou esquecido…”

Bibliografia
Cruz, José (1996). Stress, Ansiedade e Rendimento na Competição Desportiva

terça-feira, maio 17, 2005

CORPO NA ACTUALIDADE

Nos dias de hoje o corpo toma um papél relevante na sociedade, assume proporções exageradas que fazem com que exista uma indústria que se capitaliza através do culto do corpo. Entre as população mais nova, mas não exclusivamente, e sobretudo no sexo feminino, existe uma preocupação enorme com a imagem que leva ao empreendimento dos mais variados acessórios. É em torno do corpo que se desenvolvem ciências - basta olhar para a ergonomia. Neste sentido, as ciências mais estranhas de que hoje ouvimos falar, consomem e exploram as preocupações humanas, para de forma louca consumirem os nossos bolsos!!!
Claro está, que todas estas preocupações variam de pessoa para pessoa, no entanto, a grande maioria corresponde às expectativas anuais de empresas capitalistas que imprimem nos humanos comportamentos modelados, levando-nos por vezes à degradação física e mental...

segunda-feira, março 21, 2005

SOS RACISMO E BLOCO CONTRA PAPEL HIGIÉNICO PRETO

A polémica está isntalada na sociedade portuguesa, e em especial nas casas de banho da Assembleia da República. A "culpa" foi da empresa portuguesa Renova, que resolveu lançar um original papel higiénico preto. Jaime Gama, o novo Presidente da Assembleia da República, ficou entusiasmado, e resolveu adoptar o papel higiénico preto como o papel oficial das casas de banho do parlamento. Jaime Gama justificou a medida declarando: " Além de dar um aspecto moderno, este papel higiénico tem a vantagem de os políticos portugueses deixarem de ver a porcaria que fazem".
Quem não gostou nada desta ideia foi Francisco Anacleto Louçã, do Bloco de Esquerda, e José Falcão, do SOS Racismo (organização correia de transmissão do Bloco de Esquerda). Anacleto Louçã disse: "O papel higiénico branco tem servido aos discriminados negros, como um escape, onde podiam descarregar as suas frustrações contra a injustiça branca, funcionando ao mesmo tempo como redenção e castigo para os brancos opressores". José Falcão acrescentou irritado: "A partir de agora, o branco vai outra vez poder cagar no preto impunemente. Vem aí o racismo!". Luís Saramago, director de marketing da Renova, é da opinião de que toda esta polémica é um exagero. No entanto, a empresa já está a pensar em criar um papel higiénico em xadrez preto e branco. (in Inimigo Público by JP)